Como um clichê melhor fez este cliente economizar alguns milhões Reais

Em minhas colunas, tenho tentado mostrar o quanto o clichê faz a diferença na impressão flexográfica. Todas as variáveis de nosso processo de impressão são importantes (a impressora em si, o anilox, tinta etc), mas sempre tenho defendido que o clichê tem um papel de destaque, por ser a matriz de transmissão da imagem para o suporte.

Este caso que vou apresentar aqui é o exemplo perfeito de minha tese. Por motivos de sigilo infelizmente não posso revelar o nome do convertedor, mas creio que isto não tire o valor da idéia que ele ilustra.

Em 2012, em minha viagem para a Drupa, encontrei o dono de um grande convertedor brasileiro. Trocando impressões sobre a feira e sobre nosso mercado, ele se abriu e me contou que estava negociando a compra de uma nova impressora gearless para sua empresa, porque nos picos de demanda ele estava tendo que abrir mão de pegar trabalhos por não dar conta do volume.

Este convertedor tinha clicheria interna e fazia anos que eu tentava pegar seus trabalhos, e vi ali uma oportunidade de vender meu peixe e trazer um grande benefício para ele: sabendo que ele já tinha 5 impressoras de banda larga, achei que poderia vender ali meu “ganho de 20% com um clichê de ponta” e mostrar que ele poderia fazer suas máquinas renderem um tanto a mais que seria o mesmo que comprar uma nova impressora.

Explico: a soma dos benefícios de um clichê top de tecnologia traz o benefício imediato de podermos aumentar a velocidade de impressão, reduzir o tempo de setup de máquina e o número de paradas (além do absurdo ganho de qualidade, que neste momento não é o tema de nossa reflexão, mas sempre deve ser lembrado).

Somando todos estes ganhos de tempo, temos uma economia de aproximadamente 20% do tempo de um trabalho em máquina. Como este convertedor já tinha 5 máquinas, aumentar sua produtividade em 20% seria o mesmo que comprar uma nova impressora.

Expliquei esta idéia para o dono da empresa e ele achou interessante, mas o que faria com todo equipamento e pessoal que ele já tinha em sua clicheria interna? Ora, ele tinha aproximadamente R$ 800 mil em equipamentos (valores já com depreciação das máquinas) e 8 operadores. Alem disso, o custo por cm2 dele era muito bom, de aproximadamente R$ 0,09.

Meu amigo convertedor ficou bastante cético com a proposta, em virtude desta estrutura que já tinha, mas como a consultoria que ofereci trazia mais benefícios do que riscos, ele aceitou que eu e minha equipe nos debruçássemos sobre sua operação para ver como poderíamos ajudá-lo.

Enquanto nossa equipe técnica fazia as calibrações de processo necessárias e depois rodava diversos trabalhos-testes com demandas e suportes diferentes, nosso pessoal comercial fazia milhares de contas e analises financeiras.

Rapidamente, os benefícios técnicos de um clichê top de qualidade com nosso know-how agregado mostrou seus benefícios: nos 7 trabalhos-testes que rodamos, os quais chamamos de teste mas eram trabalhos “de verdade”, o convertedor teve uma economia de tempo de 21,4% de tempo, somando o tanto de velocidade que aumentamos da impressora e a redução do tempo de setup e paradas. E ainda tivemos o primor de aumentar a lineatura e reduzir pelo menos 1 cor em cada trabalho, para ter mais benefícios ainda para vender pro cliente.

Este ganho de tempo, sozinho, já permitiria ao convertedor “economizar” a compra de uma nova impressora e embolsar (ou deixar de se endividar) em alguns milhões de Reais.

Mas ainda persistia a questão do que fazer com a clicheria interna que ele já tinha. Por diversos números e análises, mostramos que mesmo deixando este maquinario parado (está a venda, no momento) e dispensando o pessoal dele (os quais rapidamente se recolocaram no mercado, alguns até conosco mesmo), o ganho em velocidade que lhe demos trazia tanto benefício que compensava o aparente prejuizo inicial.

Fechamos com este convertedor um acordo comercial e hoje lhe fornecemos todo volume de clichês que ele usa. E agora, quase um ano depois da implementação de nossa parceria, podemos observar os seguintes ganhos obtidos:

- Com o aumento de velocidade de impressão (mais economia de tempo de setup e paradas), o convertedor economizou a compra de uma nova impressora, economizando alguns milhões de Reais.

- Mesmo sem uma impressora nova, o aumento de velocidade da operação como um todo permitiu que ele pegasse mais trabalhos nos picos de demanda que o preocupavam, e seu faturameto subiu 15% nos primeiros 9 meses de 2013.

- O ganho de qualidade trazido por nossos clichês lhe permitiu buscar outros nichos de trabalhos e clientes que ele não atendia até então, diversificando sua base de clientes dentro deste aumento de faturamento.

- A economia que ele obteve em salários, participação nos lucros, benefícios, espaço que a clicheria interna usava, gestão de estoque e outras implicações pouco evidentes de se ter uma clicheria interna se mostrou ainda maior que os cálculos que tínhamos feito durante nossa consultoria, e só esta economia já justificou a troca da solução “caseira” pela terceirização.

Dá gosto ver um exemplo deste em um ano tão desafiador como tem sido 2013, não é? Isso me motiva muito e mostra que trabalhando direito a gente ganha mercado e cresce mesmo na crise!

Bons negócios!

Geraldo Fernandes (geraldo@fotograv.com.br)
Sócio fundador da Fotograv Fotopolímeros e especialista em matrizes para flexografia e dry-offset.
Há 45 anos atua no segmento, é considerado um dos maiores experts do assunto no Brasil.